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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

Ó MORTE NA GLORIA AO SOL DOS MORTOS

Ó MORTE NA GLORIA AO SOL DOS MORTOS

 I

 Gloria ao sol dos mortos, aos sonhos que eles nos dão

Silabas adormecidas no tempo, combustão de recantos poéticos

Monte de arvoredo visível no inconsciente, cheio de bolor

Sopra o vento assolando a minha alma, tantas vezes desabrigada

Poemas escritos no ventre colorido, de pétalas num livro aberto

Gloria ao sol dos vivos, aos sonhos que nos deixam saudade

 Rezas de uma poesia feita de sombras amadas, no silencio da vida

Poemas escritos num beijo que te dei bordado de esperança

Segredei ao vento o teu nome e a chuva em resposta beijo-me o rosto.

 II

 Oh morte que o pavor me cubra, dos olhos da esperança por quem viveu

Ou talvez de quem já não vive, oh morte que o pavor me cubra, muda agonia

Que o meu alento desfalece, oh devora-me o corpo exausto, que repousa

Jaz de morte nos lábios meus, mortal desgosto cobre o meu rosto

Pedra de mármore fria de macio encosto, oh saudade insana que não quer

Perder a alma, magoa deixada na escuridão dos olhos - ó morte, ó morte

Adeus - Vai-te embora ó morte, que ainda não é, não chegou a minha hora.


Isabel Morais Ribeiro Fonseca.