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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

A CARTA


Esta é a carta que eu nunca te escrevi

Que nunca te enviei, que nunca vais ler

Mesmo assim eu vou tentar escrevê-la

Escrevo o que nunca te disse e ouviste

O que está guardado, escondido em mim

O que me sufoca, preciso libertar-me

Porque não tenho coragem de olhar-te

Nos olhos, talvez seja covardia minha

Sofro destas malditas insónias que me

Levam de volta à minha loucura, tempo

Em que te deixo sozinho no meio da noite

Talvez seja preguiça ou cansaço ou nada

Sei que te rejeito, que fujo de ti eu sei

Que sim, noites, dias de amor perdidas

Onde os meus olhos inundam-se de lágrimas

Gotas de remorsos, que escorrem na face

Mas a verdade é que eu quero fazer amor contigo

Ter-te sempre junto ao meu peito

Mas esta louca loucura, que, é só minha

Mata-me, tantas vezes, desculpa esta parte

Doente de mim que sente a falta de ti

Dos teus braços entrelaçados no meu corpo

Da tua mão quente a acariciar-me o rosto

Da tua voz a falar baixinho no meu ouvido

Da tua boca que beija a fogueira dos meus seios

Tantas, tantas vezes pensei em escrever-te

Para contar-te o que sinto, acabo por desistir

Só eu sei as saudades que tenho tuas

A falta que me fazes é insuportável, dolorosa

Escrevo na carta que tenho falta de ti em mim.