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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

A VOLTA DO COMBOIO NA SERRA


Reinvento sigo num comboio enferrujado como único passageiro

Já criei raízes no monte, nas fragas, bandeira que dela despojei-me

Sente-se o cheiro do lobo faminto, passos dados entre as giestas

Oliveiras envoltas em cinzas, vapor do comboio que passa na serra


Na serra, no monte entre fragas está uma velha oliveira solitária

A única companhia é uma velha capela de uma bela Nossa Senhora

Onde só chora das saudades das gentes que vinham rezar o terço

Ouve-se o uivar do lobo por entre o luar, porque a dor não tem cura


Caminho estreito para o calvário vazio no peito, no sentir solitário

Moura rosa dos ventos que sussurra no nordeste transmontano

Vaidade na tela do desdém, balanço das quimeras cegas de lucidez

Lá está a velha oliveira que chora de saudade do lobo das suas crias


No mundo, não há riqueza maior que ver a raposa com o lobo animado

Caminho estreito feito de fragas para ver a velha capela da bela senhora

Calvário no peito vazio faz-me sentir mais solitário no monte, na serra

Uiva o lobo que padece de fome, o homem caça o que não lhe pertence.