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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

ABANDONADOS A SUA SORTE


Castelo de asas com grades, janelas 

Partidas que deixam entrar o frio

Velha, nova, escura, perdida, vazia

Abelhas que ferram, oferecem o mel

Colmeias cheias na serra, no monte

As picadas de víboras gritos de dor

De angústia e de muita mágoa


Homens feios, sem fé, mendigos voluntários

Sombras de si mesmos, que andam a solta 

Como diabos pregadores, donos da verdade

Da morte , da escuridão, seres virtuosos

Sem escrúpulos Qual verdade ? qual virtude?.!

Gostam desta nova guerra aberta

Destes novos guerreiros, alheios a tudo

A todos, crentes do além , fora do mundo

Dos que desprezam o corpo, as alegrias e paixões


Pequenos e pálidos delinquentes

Que não querem saber ler ou escrever

Sobem as árvores das montanhas

Das serras, vivem em cavernas fechadas

Palheiros húmidas, cheias de mofo

Fedem de morte, virtude duvidosa e livre

Donos da guerra, donos de nada


Canta o velho viajante

Que sente o enigma, silencioso

Dos montes dos ramos das oliveiras,

Das tempestades, da neve branca gelada

Das passagens, trilhos ou caminhos

De pregadores sem fé, sanguessugas

Que vestem as vestes de cordeiros

Encantadores de lobos, diabos escondidos.!!