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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

ALMA DOENTE

"ALMA DOENTE"


Escrevo um livro fechado

Com as páginas intactas

A minha alma é um cadáver

Que foi pedir sonhos aos mortos

Sem medos sem culpas

Quer se faça dia, ou noite de trevas

Presságios fúnebres de nocturnas preces

Leva adiante de pávidos rostos abaixo do mar

A sombra de uma só covardia de sossego desfeita em desassossego

Pedras geladas, fragas raras, mármore precioso

Oh morte leva contigo o perfume das flores, dos cravos, das rosas

Estás aqui comigo, oh morte na sombra deste sol quente

Escrevo que a minha alma é um cadáver

Para pedir um sonho aos mortos

Afinal os vivos não me ouvem ou fingem não ouvir

Que ninguém rasgue os livros escritos nas folhas do sonho

Feita de poemas cheios de amor e dor.