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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

AROMA FORTE


Escuta-me em silêncio, ouve o meu silêncio

Entre o molho holandês refeito pela segunda vez

Palavras ditas, silenciosas no olhar de altos e baixos

De embalados morangos doces do nosso Alentejo

Chá fresco ou quente com hortelã pimenta, no quarto

Fogo de pensamentos entre paixões e desejos nossos

Amante amoroso, sentinela dos teus, dos meus sonhos

Cúmplice na alma, canela posta no arroz doce ou aletria

Quente corpo nu, cantos sonolentos que gritam a raiva

Sonhos trancados, açúcar queimado no doce leite creme

Perdida paisagem no deserto de agitação estéril de ilusões

Doce de abóbora com requeijão, leva à loucura qualquer paixão

Noite de poucas palavras no sentir como um amor infinito

Escuta-me em silêncio, ouve-me em silêncio ao vento

Na imaginação das lembranças maravilhosas perfumadas

De rosmanhinho na abnegação de não conseguir suprimir

A curta distância de um delírio no aroma forte de gengibre.