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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

ASAS NEGRAS DE POEIRA


Asas negras cobertas, silenciosas do quarto

Rastro de poeira luminosa, sinónimos de estrelas

Veste-me por dentro em caril, despida de açafrão

Na pedra nua talvez por lapidar ecoa a insanidade

Asas transparentes de tinta branca de salgado sal

Palavras numa folha de linhas, mostarda em mim

Sementes na terra, adversidade das noites negras

Barulhenta amargura negativa uma solidão em fúria

Colapso no porão, desequilíbrio de um covarde

Prisão de asas negras, anjos de abominável escuridão.

Terrível encosto do eterno desgosto, peço misericórdia

Vestes negras do prosterno desespero, vestígios talvez

Da humanidade sem sangue a correr nas suas próprias veias

Começou a escrever na alma, asas negras cobertas de sal

Gengibre de uma sublime covardia, gemido enterrado vivo.