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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

CARPIR E RESIGNAR

CARPIR E RESIGNAR
 
São quase duas e meia da manhã, o sono tarda a chegar.
Nem o cansaço vence-me, nem a quietude derruba-me.
Noites mal dormidas, enquanto espero a madrugada.
Raiar do sol com este sono quase perdido.
A insaciável sede de escrever não disfarça o meu silêncio
Faltam-me todas as coisas que não vivemos esta noite
O beijo que não te roubei...
Quase sinto-te aqui nos meus braços, a ver nascer um novo dia.
É claro que o poeta é um fingidor capaz de fingir até a sua própria dor.
Talvez eu seja um poeta fingidor, ou talvez não seja.
A única certeza é o meu amor por ti.
As saudades transformam-se em frases, poemas, versos soltos.
Cada letra que escrevo é uma lágrima que escorre pela minha face.
Nem sei se são lágrimas minhas ou tuas palavras de esperança que perderam-se
Sei que gostas muito de ler-me como eu gosto de escrever-te.
Eu sei e tu também sabes que a saudade aperta quanto mais nos afastamos
Das coisas que temos vivido e das que ainda não vivemos.
Das viagens feitas em silêncio que preenchem o nosso pensamento.
Lágrimas que choro quando não posso dar às crianças tudo que eu tive em miúda.
Das nossas de dificuldades que são tantas!
Às vezes penso que Deus só devia dar filhos aos ricos e não aos pobres.
Da raiva que sinto...Ao longo destes anos todos estou cansada de inventar soluções
Espero um milagre mas nem a ferros ele vem é só problemas!
O dinheiro nunca chega as crianças estão a crescer e é cada vez mais difícil educá-las.
Os tempos são outros, não são como eram antigamente.
O sorriso das crianças é contagiante e reconforta-nos vemos a sorte que temos.
Não sou valente, jamais serei invencível choro, grito de dor muitas vezes ao vento
Na tempestade do tempo que não desistem de me carpir as mágoas
Já começo a resignar não gosto muito confesso.
Mas enquanto o silêncio meditar nas agruras da minha vida
Continuarão a escorrer-me as lágrimas feitas de palavras soltas
Em cada poema, verso ou frase que escrevo
Nestas noites da minha solidão em que tu estás ao meu lado.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca