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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

CONTO DE AMOR À ESPERA



Nos devaneios de um simples encontro

Lágrimas de raiva já não contidas

Mãos trémulas passadas pelo cabelo

Deixava a mente vagar nas lembranças

Dos momentos já passados, dos sorrisos

E das caricias que trocaram em segredo

Brincadeiras compartilhadas tantas vezes

Deixa a mente levitar nas memórias

Daqueles momentos que já não voltam mais

Procura em segredo reviver aquele doce sabor

Com o desejo de amar, sem nunca jamais perder

Ela esperava-o como sempre junto às portas de ferro

Da sua casa, não importava se fazia chuva

Se fazia frio, se fazia sol, o seu corpo inquietava-se

Se ele tardava e quando ele aparecia assim surgido

Do nada, o sorriso dela tinha a capacidade de

Iluminar o breu da noite mais invernosa

Era impensável não darem aquele beijo tão

Demorado, em que os fazia sentirem-se já donos

Um do outro, de mão dada seguiam pela rua fora

Por entre juras de amor, tendo como cúmplices

A calçada de pedra que gemia - gemia

Na passagem dos dois apaixonados ao amanhecer

No regresso, ele deixava-a contra vontade

Junto à porta de ferro, dando-lhe aquele beijo forte

Que só os dois conseguiam sentir e entender

Pedia-lhe um aberto e sincero sorriso

E murmurava-lhe palavras de amor eterno

Ele não queria regressar, queria ficar ali amando-a

Com o seu olhar, a dizer-lhe palavras loucas

A passar a mão atrevida pelo seu corpo

Ela dava-lhe um sorriso pedido para ficar

Mas a razão falava mais alto, é a vida

Separavam-se com a promessa do reencontro

No dia seguinte, no outro dia e no outro a seguir

Ela está agora encostada à porta de ferro

Sozinha com a cumplicidade das pedras da calçada

Que gemem, gemem em silêncio

Já se contam no seu rosto algumas rugas

Que o tempo foi deixando, ele não perdoa

O corpo inquieta-se sabe que ele já não vem

Observa as pedras velhas, gastas, sofridas

Deviam dizer-lhe por onde anda o seu amor

Mas não obtém resposta, olha para dentro de si

E admira a mulher em que se transformou

Sorri sem pensar, que sorriso, se ele a pudesse ver

Veria a mulher simples e apaixonada que perdeu.