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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

CORPO PERFUMADO


Prende-me na tua voz para alimentar a tua prece

Fica comigo atrás das grades, torna-te devoto

Recicla as minhas loucuras só para as reinventar

Lanceta o meu corpo para ver o reverso do teu

Conheço a dor de cor, que arranquei do coração

Crema o desejo nas pétalas soltas da tua inexistência

Ama o meu corpo na terra, onde eu respiro contigo

Torna combustão, o que esfumaça dos meus lábios.

Sente o calor da insónia, a perder-se no chão das pedras

Partículas pequenas suspensas na ansiedade crescente

Corpo nu que flutua no vazio das labaredas da tua carne

Onde a eternidade solda o sentido, recolhendo as cinzas soltas

Apaga a fome, sentirás o encanto do meu corpo perfumado.