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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

DANCEI NUM POEMA

Dancei num poema de lâminas afiadas

Enquanto a minha alma voava de mim

Nas palavras que a carne exercia

De aguçadas feridas


Memórias solitárias de fundas raízes

Feroz transparência da própria carne

O inferno rebenta contra os rochedos

Mar impiedoso onde sustenta o abismo


Enterra a memória de todos caminhos

Alma de lâminas, saradas feridas

Dancei num poema, sentido feroz

Vidas vividas de perpétuas saudades


Dancei num poema de bravos costumes

De florida piedade, pó na alvorada 

Fôlego em silêncio, súplicas de fogo

Sangue num corpo morto de afiada poesia