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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

DEIXA-ME

DEIXA-ME

Deixa-me derreter em ti como mel puro
Deixe-me ser em ti um nó firme e apertado
Deixa-me estremecer no teu quente corpo
Deixa-me agarrar-te como se agarra a primavera
Deixa-me ancorar o meu veleiro na tua boca
Deixa-me beijar os teus lábios com os meus
Deixa-me viver a impossibilidade de um sonho
Deixa-me ser o teu pecado maior e tu o meu
Deixa-me estar nos teus braços, forte abraço o teu
Deixa-me ser a tua fraqueza, mas a tua maior força
Deixa-me matar a minha fome com o teu olhar
Deixa-me saciar a sede da minha boca contigo
Deixa-me esta insaciável sede da minha alma
Deixa-me ser o calor que te queima o corpo
Deixa-me ter esta obsessão por ti, só por ti
Deixa-me ter-te esta noite e muitas mais
Deixa-me tirar-te a dor que te consome por dentro
Deixa-me a tua ausência de cada palavra não dita
Deixa-me ser um belo poema, um verso em ti
Deixa-me derreter o abismo que te tenta engolir
Deixa-me dar-te alegria nesta dura cruel vida
Deixa-me beijar-te com ânsia no meio da noite
Deixa-me com fúria na cumplicidade íntima que
Queima na nossa cama, sonho nu de mel quente
Derretido no nosso corpo em comunhão.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca