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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

EU JÁ

EU JÁ

Sepultei esta insónia
Tento dormir mas não durmo
Tento sonhar mas não consigo
Espera-me uma longa noite
De insónia, espera-me a morte
De um bocejo inútil
Não durmo mas escrevo
Com as veias da noite
Deste ópio agarrado a mim
Como um cadáver de um pensamento
Vazio não durmo
Posso ler, posso escrever
Posso pensar, mas porquê
Não posso sonhar
Quando acordo de noite não durmo
Sepultei a minha dor
Sem lápide sem nome
Ou ainda sem flôr
Não durmo nesta noite
De insónia escrevo
No mais profundo esquecimento
Que sepultei as minhas
Lembranças num poço
De lamentos nesta noite de insónia.