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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

FALÁCIAS DE AÇAFRÃO


A poesia caminha avança sobre o calvário desfeita em nó

Maldito este círculo tão apertado perfumado de mortos

Oh morte que estiveste só por horas, dias, meses e anos

Cama de pés gelados, braços esticados com mil demónios


Falácias brotam no sangue, coração de renúncia e inquietação

Asas decepadas num sonho para impedir o voo no falatório

Excesso de vozes repetidas na alma, na mente, no corpo doente

Vagam pelo espaço desfeito no tempo sugam o mel do feitiço


Sonhos de fogo coberto de sangue, afrontando os nossos anjos

Na calada da noite, no próprio abandono, sente-se as garras de dor

O rufar dos tambores clamor de uma poesia feita de esquecimento

Oh ânsia que despertas o açafrão acorrentado, geleia do nosso ouro.