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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

FERVIDAS TRAVESSIAS

Deixa-me chamar-te no silêncio desta noite

Nos cálidos, monótonos, ventos do meu alento

Despe os meus olhos no salgado manto de algas

Entre as pávidas sensações de um viver intenso

Nas fervidas travessias de estáticas calmarias

Veste-me de um sorriso quando o silêncio chegar

Onde anoitece de leves suspiros de amargas atracções

Adormece a mágoa, a dor, a saudade do meu corpo

No desapego, castigos, amarras na embaraçosa voz

Ser desprendido pela vida, apto a um amor verdadeiro

Abordagem alcançada de todos os desejos entre as folhas

Tatuadas amarradas no pulso em que o poema aparece

Nas horas que não existem, no inverno que perdura, que gela

Os sonhos da eternidade mesmo que não tocasse com as mãos

Na chegada de uma andorinha, verão numa noite cheia de estrelas

Deixa-me respirar, tu és o meu ar, nas fervidas travessias do mar.