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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

"GUERRA ABERTA"


A carne é fraca, a guerra é constante 

Quando o espírito deixa e não é forte

Desejo maldito, bendito, profano, covarde.

Boca que a língua invade, no corpo, na carne


Do sangue que é alarme, onde a brasa inflama.

Na luta onde o sangue que se exalta, pecado capital.

Dor, amor salgado que a vida nos dá muitas vezes 

Navalha que corta a fraca carne do nosso pecado 


Guerra constante, constantemente sem vencedores

Besuntados estão os corpos estendidos 

Na lama antiga no chão do nosso instinto

Com a mesma intensidade num labirinto


Rugem as carnes sem sangue já apodrecidas

Memórias de um tempo de batalhas de glórias

Palavras ditas talvez corrompidas na noite

Flor de um jardim bela ardente e misteriosa 


Religião com o terço na mão de quem ama

Vertigem no passo longo de um precipício

Boca que ruge na selvajaria do instante

Gemido do homem que ama já feito amante


Muralha com a bandeira mais bela do mundo 

A fé de uma sombra num templo perdido

Insanidade de todos os descrentes e ferozes

O vento que guia-nos no céu com o seu rastro.


A carne é fraca, a guerra é tantas vezes constante

Como é constantemente vencida sem vencedores

Quando o espírito é fraco, na luta do sangue

Sombra da navalha, gemido do homem descrente.