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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

INGLÓRIO CONFRONTO

INGLÓRIO CONFRONTO
 
No confronto tenho a mente em pedaços
Pensamentos por vezes demasiado duros
Estou a perder a visão de mim própria
Enquanto escrevo estas miseras palavras
Cegueira imposta não por mim, mas pelos
Diabetes que me assaltam os olhos castanhos
Oiço o tique-taque do meu relógio no pulso
A tentar imaginar a solidão que existe no mundo
Das palavras mudas armadas até aos dentes
Está prestes a começar a minha última luta
Tarefa inglória neste mundo cada vez sem glória
Temos de amar-nos a nós próprios tantas vezes
Talvez para podermos receber amor dos outros
Houve momentos em que eu não queria viver
Outros que queria viver, novamente eternamente
A vida é macia, tenra, aveludada, estreita e fria
Tudo isso a olho nú em plena luz do meu dia.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca