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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

NO MEU, NO TEU


Agarrado ao mais delgado fino de lã

Do nosso novelo diante de tantos momentos

As borboletas na cavidade

Concavidade da boca absoluta

Destas palavras onde digo palavras perdidas

Ao espelho, que riscam ecos de sons nus

No chão das terras já assombradas

E na vertigem do nosso reflexo

Abraço-me aos sons que palpitam

Puros na paisagem com eco

De cujos caminhos são as nossas rotas

De um lugar onde nunca estive

Mar de um tato de uma promessa

Onde os teus olhos guardam o teu silêncio

No seu gesto mais frágil

Entre as conchas e estrelas da praia

Corremos de mãos dadas na espuma das ondas

Que deslizam na areia para um cobertor

Lavado pelo mar salgado

Afinal a nossa cama é uma aragem

Uma estação, uma passagem

Um sopro, uma alma esvoaçada, um verso

Uma folha de mim

Casa com a janela deixada aberta

Tantas vezes no teu, ou no meu coração.