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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

O HOMEM


O homem vive escravizado e parece que gosta

Na origem das capacidades ainda não realizadas

Representa o início das incertezas nos recursos

De ganhos potenciais, de habilidades muito inúteis

Na presença de Deus, nas conquistas já alcançadas

Seres imperfeitos nas capacidades não significativas

O homem não consegue a perfeição, é escravo de si

Sabe que vai morrer sem despedidas, sem palavras

Será somente uma sombra, um dia, numa curta viagem

Seremos novos, velhos empurrados para simples buracos

Com desejos, sem desejos, com rancor, sem rancor

No fim o vinho do porto ganhou o seu velho sabor

Dos gritos em delírio de dor, rasgando os soluços

Das mulheres de terço nas mãos em corrente de oração

Toda a morte é um tributo na aparência desnecessária.