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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

O MEDO

O MEDO

Acorrentou o sentimento
Bloqueou o meu caminho
Apagou o brilho das estrelas
Esquartejou a minha liberdade
Afogou a minha mente
Amputou a minha alma
Escureceu o meu coração
Amordaçou a minha vaidade
Quebrou os ossos do meu corpo
Secou todo o meu desejo
Limitou a minha visão
Cegou a minha verdade
Acorrentou o meu destino
Travou os meus passos
Enforcou os meus pensamentos 
Calou as minhas palavras
Esfacelou todos os sonhos
Matou tudo de bom em mim
Condenou as minhas lágrimas ao deserto
Esfaqueou o meu peito
Tornou a minha coragem em covardia
Selou a minha boca
Murchou as minhas flores
Quebrou as minhas memórias
No fim, o medo transformou-me num escravo.