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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

PASSADO PRESENTE


Agora as minhas horas evocam o silêncio

De amar tanto nas memórias do passado

Erva de coentros, semente de mostarda

A minha alma guarda as lágrimas que secaram

Nas varas da canela ou no cravo da índia

O meu coração, já não está ou sente-se magoado

No sabor entre o alho, gengibre ou malagueta

São agora apenas lembranças levadas pela água

Que corre nas margens das raízes dos choupos

Folhas velhas da vida amareladas pela chuva

Soltas pelo vento, da erva-doce e da canela

São folhas de louro à deriva, no bacalhau no forno

Levadas ao sabor da ventania. arrastadas na noz moscada

Esquecidas, lembradas no paladar do tempo

Manjericão num navio naufragado, talvez já sem glória

Raminho de alecrim para alegrar os nossos momentos

Como gosto do queijo de cabra, é forte como os teus braços

Evoco o silêncio de amar-te tanto nas memórias do presente.