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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

POIS EU

POIS EU


Tremo, escrevo, páro, escuto
Verto todas as lágrimas do mundo
Reduzo-me ao látego que me flagela
O corpo que deixo habitar na minha alma
Reduzo-me ao que sou, que não é nada
Barro de argila seco insnificante
Apenas um naco de nada sem nada, a vida
É crua, dura com o fel de uma víbora
Uma árvore que definha e seca de pé
Conquistando um fulcro vazio e potente
Sou quem há muito morreu vaguiei sem sair
Sair de onde pregunto, eu se sou um látego
Roto, vestido de farrapos velhos deixados
No lixo por alguém mais pobre que eu
Perdi-me enquanto sou escravo da vida
Tornei-me numa pessoa encarcerada de mim
Sem uma réstia de fé, na carne que me fustiga
Tremo, escrevo, paro, sorvo, choro
De olhos vedados fechados, veio-me à memória
O cheiro da terra, do capim molhado
Parece-me um poema, mas eu sou apenas um látego.

(H.M.A)