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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

POR TI ESCREVO


POR TI ESCREVO

Escrevo porque habito nos poemas que escrevo
Escrevo porque a minha alma me pede
Escrevo porque morro estranhamente nesta vida
Escrevo porque as dores sentidas são muitas
Escrevo porque a solidão torna a vida um deserto
Escrevo porque os sonhos puros renovam a beleza  
Escrevo porque a semente vai germinar na palavra
Escrevo porque esqueço-me de admirar os teus olhos
Escrevo porque despenho-me no mar num barco sem leme
Escrevo porque o naufrágio ainda chegou com vida
Escrevo porque volto a mim do pensamento incerto
Escrevo porque colho as folhas perfumadas do teu peito
Escrevo porque os meus olhos te mostram amor
Escrevo porque fundiu-se na boca o beijo que me deste
Escrevo porque sinto as mãos tuas debaixo do cobertor
Escrevo porque o teu peito toca nas minhas costas
Escrevo porque nos nossos corpos cresce uma labareda
Escrevo porque deslizas de repente na minha alma
Escrevo porque a juventude é um vício que perdemos
Escrevo porque cada instante é um lugar perdido no tempo
Escrevo porque somos flores caídas lençóis em desalinho
Escrevo porque a noite queima-te, inquieta-te a alma
Escrevo porque os nossos corpos estão desfeitos no vento
Escrevo porque a saliva cresce em cada corpo orvalhado
Escrevo porque tenho dúvidas que a felicidade me visite.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca