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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

PÁSSARO ERRANTE

PÁSSARO ERRANTE


Lesões no corpo sem destino, sem estrada
Pássaro errante da sua própria vida
Via sacra no silêncio solitário oprimido
Erva daninha de um inverno gelado e cinzento
Ansiedade escura das palavras repetidas
Mostra a sua escuridão nas fragas frias
Na conquista da fúria, deixadas por sombras
Sombras doentias talvez apreensivas
Arcanjo de suspiro embriagado feito de ciúme
Deu a tristeza infinita ficou nu de palavras sentidas
Penitente tatuado sem preocupações insaciável confessor
Ama a Deus com toda a sua força, repousa o seu coração
No evangelho diário já gasto pelo tempo
O chicote na mão, para sobreviver ao pecado
Tantas e tantas vezes tentado, anjo doce de rosto
Já marcado pela dor, abstinência sentida no corpo
Na alma tão pura como uma flor
Pássaro errante dono e carrasco da sua própria vida.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca