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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

RENDA FULGOR


Ajoelhado impuro no galho
Da solidão imposta adoça
A alma no coração sofrido
Nas evasivas do tempo
Versos nus no deserto
Sem serem julgados
Sangra na terra pisada por mim
Por dentro da carne viva
Bebo o amargo absinto
Sangra o corpo sem ser colhido
Nas folhas secas escritas
Alquimia das tuas vestes de renda
Do sol que entra entre as frescas
No outono da mais bela tristeza
Não me julguem nos nus versos de amor
Entardecer no palpitar de amarga dor
Sem nenhuma cor enevoadas
De cinzas no fulgor do amanhecer
Entre as falésias insurgentes dos versos
A vista de todas as chagas aflitas  
Conflitos que sente na marca da tua boca.