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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

RUDE DE AFETOS


Óculos escuros, caligrafia ao luar

Tento escrever para não ter medo

De sofrer, de pensar, de amar

Partir as correntes, que prendem o silêncio

Grito ao vento, para não viver um inferno

O sofrimento que dura momentos

Dança nocturna feita em desenho

Na areia da praia, estratégia da alma

Ferida, magoada, saciada de desejo salgado

Ocultos sentidos de esguios instantes

Promessas alimentadas numa fogueira de cinzas

Rochas plantadas no coração rude infeliz

Sobre os pés de um pobre coitado, abandonado

Braços abertos, loucos de poesia

Sobre o regaço da imensidão

Mente fria, fechada, alheia a tudo

Luz que procria, que prevalece, na lucidez

Chama reflectida nas profundidades

Dos olhos cegos, doentes, disfarçados, massacrados

Nas ventanias do desassossego, arrancadas de dor

Solitária escuridão de um caminho perdido

No tempo esquecido de afectos sentidos de flores

De amores, de emoções, rude talvez de afectos.