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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

SIM SOU UMA NEGRA CRUZ

Tributo a um grande poeta Português Teixeira de Pascoaes 



Sou uma negra cruz na serra

Onde o luar reflecte escuridão

Um triste espírito que murmura

Sou um dúbia luz na fraga escondida

Uma triste noite que bate no monte

Sou um espectro fugindo do carcel

Uma sombra escura perdida na serra

Do silêncio lúgubre que esta minha alma

No luto de falecias que vive em mim

Sou as lágrimas que choro ser querer

No incenso branco na névoa escura

Passo as noites em claro sem conseguir dormir

Penumbra que desvanece no frio do corpo

São os vultos que desmaiam no crepúsculo

Sou um rochedo esquecido no mar

Uma mortalha ferida dos cânticos das sereias

Sou um fantasma num corpo morto

Desfeito na encosta pelos verdes lameiros

Sou talvez a velha esperança de alguém

No seu leito de morte em sofrimento

Sou uma tremula lágrima vertida na cruz

De uma fé que me faz subir a serra na escuridão.


Isabel Morais Ribeiro Fonseca