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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

SINO DA MEIA-NOITE

Eu quero impregnar a tua pele

Moldá-la como uma artesã

Mas sou apenas uma pobre poeta

Às vezes triste com tua ausência

Outras vezes melancólica como as cotovias

Que voam entre sombras e suspiros

Gotas de orvalho de sentimentos

De abraços nostálgicos em chamas

Que consomem o meu sangue

Talvez um limbo da vida e da morte

Estou farta da minha louca loucura

Bússola de uma trepadeira invisível

Onde pulas o meu muro quente

Para alcançar o santuário dos meus seios

E as flores do meu jardim secreto

Vento refluxo das ondas da almofada

Para escrever um sonho no coração

A andorinha procura um ninho nas ondas

Da tua boca no beijar do teu silêncio em sal

Janela da nossa cama, vejo a lua, o vento chegar

Carícias de mel, como se de uma fragrância se tratasse

Beijo da nossa cumplicidade no tocar do sino a meia-noite.