Loading

ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

TECER AS PALAVRAS


As sombras das casas senhoriais frias

De pedras escuras

Sobreviventes aos séculos em estado de destruição

Hoje queria tecer as lágrimas

Da chuva que cai lá fora

Pérolas que enlaçam o fio da tua

Da minha sorte

Ser agulha nas malhas de lá do nosso esquecimento

Tecer todas as mágoas no linho

Dos lençóis ao vento no estendal

Nas horas difíceis

Morremos de tédio acendemos a televisão

Navegamos na corrente

Barco sem remos, velas erguidas ao tempo

Atiramos pedras ao rio sem as ver cair

Gememos de fúrias esmagadas

Fragmentos de memórias que tombam desamparadas

Como folhas soltas

Ao sabor do vento, no tempo

Gaivotas que levam as letras ilegíveis

De palavras irónicas.!