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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

"TERNURA VINCADA"


Prenúncio de alva beleza

Talvez de adoração e prece

Olhei devagar para o espelho

Ele falou comigo em silêncio

Mostrou-me o tempo vivido

Vivido no meu rosto 

Mostrou-me como eu mudei

Novos traços, novos vincos

Rugas que agora estão mais fortes

Por um instante não me reconheci 

O meu próprio reflexo que ali mostrava

Penumbra vivem os reflexos de esperança

Na pausa da incerteza notei o meu olhar 

Um pouco cansada da fúria do tempo

Do meu interior, quero um vestido de flores

Suave reticência deste cansaço

Que ainda existe o brilho de tantas coisas para ver

O meu olhar ainda está vivo

E não importa as lágrimas ou sorrisos eu dou de mim

Do outro lado do espelho existe tanto

Quando eu me imagino

Um mito de existência e de desencanto

Silencioso o meu destino

Foi o tempo do meu pensamento

Tempo que nunca será feroz e duro 

Para eu deixar de ter esta importância comigo

Tempestade, vento indaguei a idade como solução

Veio o tempo dos meus olhos, da minha pele

Onde cada traço que tenho são apenas 

A prova do que já vivi cheia de amor, de dor e esperança

Será que só eu vejo as mudanças do tempo no espelho, ou não!