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ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA

castelafonseca@sapo.pt

VESTES NEGRAS EM VERSOS


Oh voz da noite, poeta das negras vestes dos meus, teus versos

Palavras mortas desta poesia, no dilema feito em letras nossas

Na troca do sim pelo não, num piscar dos teus, dos meus olhos

Oh dor maldita, te saúdo, que rasgas as minhas vestes negras

 

Oh dor cruel, desenfreada da minha pobre alma, de riso aflito

Beijas-me com o gosto do sal, quando das veias brotas sangue

Pões as noites em dias na minha carne, lágrimas no meu lençol

Oh mágoa solta, perdida nas vestes negras, entre o dia e a noite


Oh dor da minha alma, que teces um fio na nascente de um rio

Por caminhos já sombrios, deslizam sem parar rumo para o mar

Oh silêncio que nasce das dores do meu, do teu talvez desengano

Nos corpos murmurando as dores soltas no espaço sem tempo


Oh voz da noite, que vestes já de negro todos os meus versos

Palavras, letras mortas, desta poesia no dilema feita em prosas

Na troca do sim pelo não, num piscar dos teus, dos meus olhos

Oh dor maldita, te saúdo, onde rasgas as minhas negras vestes.